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Quando Hamlet encontra Freud

Hamlet, Freud e o Verbo To Be: Entre o Inglês e a Existência Quando pensamos em aprender inglês, logo lembramos das primeiras palavras: to be — o verbo ser/estar. Mas o que acontece quando atravessamos essa simples estrutura gramatical com Shakespeare e Freud? Surge uma viagem que mistura língua, literatura e psicanálise. O verbo to be no inglês O verbo to be é um dos pilares da língua inglesa. No presente simples, ele se conjuga assim: I am You are He/She/It is We are You are They are É com ele que podemos dizer: I am alive (eu estou vivo), She is happy (ela está feliz), They are here (eles estão aqui). Simples, direto e fundamental. Mas na boca de Hamlet, em “To be or not to be” , esse verbo ganha uma dimensão muito maior. Não se trata apenas de estar ou não estar — mas de existir ou não existir. Hamlet e a dúvida existencial No célebre monólogo da peça de Shakespeare, o príncipe dinamarquês se pergunta se vale a pena continuar vivendo. “Ser ou não se...
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  O Amor Não Basta: Marriage Story e Lacan Todo mundo que já passou por um fim de relacionamento sabe: não é só o amor que sustenta um casal. O filme Marriage Story (2019), de Noah Baumbach, mostra exatamente isso. Nicole (Scarlett Johansson) e Charlie (Adam Driver) se amam, mas mesmo assim se separam. O que o filme mostra O filme acompanha o processo de divórcio do casal. No começo, vemos coisas lindas que um escreve sobre o outro. Mas essas palavras não são ditas em voz alta. Esse silêncio já mostra o problema: o que não é falado pesa tanto quanto o que é dito. Quando entram advogados, documentos e discussões, fica claro que o amor sozinho não resolve. Existem desejos diferentes, sonhos diferentes, e uma dificuldade enorme de cada um se sentir visto pelo outro. A visão de Lacan Jacques Lacan, psicanalista francês, dizia: “não há relação sexual” . Isso não significa que casais não possam se amar ou viver juntos, mas sim que não existe uma complementaridade perfeita entre du...
  Click e a psicanálise: o controle remoto da vida O filme Click (2006), estrelado por Adam Sandler, pode parecer à primeira vista apenas uma comédia dramática sobre um homem sobrecarregado de trabalho que descobre um controle remoto mágico. Mas, se olharmos pela lente da psicanálise, percebemos que Michael Newman encarna um dilema universal: a recusa em lidar com a castração, isto é, com os limites da vida, da linguagem e do tempo. Michael quer pular as partes “chatas” da existência: discussões, doenças, obrigações familiares. Mas ao avançar o tempo, descobre que justamente nesses intervalos aparentemente inúteis estava a substância da vida — o amor, o luto, o desejo, as lições que nos estruturam como sujeitos. Na leitura freudiana, podemos dizer que Michael sofre de um recalque do princípio de realidade: ele busca apenas o prazer imediato, negando a dor necessária ao amadurecimento. Em termos lacanianos, o controle remoto simboliza o objeto a — uma tentativa mágica de preenc...
  In Treatment: Quando o Inconsciente Apaga as Falas — Freud & Lacan em Cena A análise de In Treatment – S03E02 (“Frances – Week One”) nos leva a pensar sobre a tensão entre palco e divã. Frances, atriz veterana em retorno ao teatro, começa a esquecer suas falas no ensaio justamente quando sua vida pessoal está atravessada por conflitos: divórcio recente, uma filha adolescente distante, a morte anunciada da irmã e a pressão da indústria que insiste em lembrá-la de que está “velha demais”. Os lapsos de memória de Frances funcionam como verdadeiros atos falhos. Freud nos ensinou que o esquecimento não é vazio, mas memória disfarçada: aquilo que não pode ser dito se revela na falha da fala. Já Lacan nos mostra que, no olhar do Outro – seja ele o público, o produtor, a filha ou a irmã –, o sujeito se vê reduzido a um objeto. É nesse ponto que o objeto a aparece como causa do desejo e da angústia. Frances se sente “como se estivesse nua diante de um estranho” ao descrever sua e...

Charlie Harper e o Complexo de Édipo

  Freud, Lacan e o desejo impossível em Two and a Half Men Charlie Harper, de Two and a Half Men , é a caricatura do conquistador moderno: rico, sedutor e espirituoso. No entanto, sua incapacidade de manter um relacionamento estável revela algo mais profundo. A psicanálise, desde Freud até Lacan, nos mostra que o charme superficial de Charlie esconde um drama estrutural: um Édipo não resolvido e a eterna busca pelo objeto a. Freud, em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905), afirmou que a criança, em seu desenvolvimento, experimenta um desejo pela figura parental do sexo oposto e rivaliza inconscientemente com o do mesmo sexo. O processo de resolução desse conflito é fundamental para a entrada na vida adulta. Quando esse atravessamento falha, restam marcas que se expressam em dificuldades relacionais. Charlie, apesar de sua vida adulta aparentemente bem-sucedida, permanece aprisionado em uma lógica infantil: foge das mulheres que ocupam lugar de mãe e só tolera aquelas...
Narcisismo dos Líderes: Freud Explica (e Você Aprende Inglês!) Algumas frases atravessam os séculos não apenas pela força das palavras, mas pelo tamanho do ego de quem as pronunciou. De reis absolutistas a presidentes contemporâneos, muitos líderes revelaram em poucas palavras aquilo que Freud chamaria de narcisismo desmedido e onipotência infantil. Neste artigo, vamos analisar cinco frases históricas que escancaram a megalomania política e, de bônus, aprender um pouco de inglês com cada uma delas. 1. Louis XIV — “I am the state.” Traduzido como “Eu sou o Estado”, esta frase sintetiza a fusão entre o sujeito e a totalidade política. Louis XIV, o Rei-Sol, não via distinção entre seu corpo e o corpo político. Do ponto de vista da psicanálise, isso é a expressão máxima do narcisismo primário: a onipotência da criança que acredita ser o centro de tudo. Inglês na prática: Estrutura básica “I am + função”. Exemplo: “I am the teacher” (Eu sou o professor). 2. Adolf Hitler — “I follow...
Neurose, Desejo e Silêncio em The Graduate : um clássico que nunca para de falar A cena que abre o sintoma Em 1967, Mike Nichols lançou um filme que atravessou gerações: The Graduate . O enredo parece simples: Benjamin Braddock, interpretado por Dustin Hoffman, acaba de se formar na faculdade e retorna para casa, perdido sobre o que fazer da vida. É então que surge Mrs. Robinson (Anne Bancroft), mulher rica, solitária e com uma presença ao mesmo tempo ameaçadora e irresistível. Logo no início, ela oferece uma bebida ao rapaz. Ele retruca: “Why don’t you just go up to the bedroom, close the door, and go to sleep?” E ela devolve, com ironia seca: “Because I’m neurotic.” Essa troca aparentemente banal contém um universo inteiro da psicanálise — e abre espaço para nossa leitura. O que é neurose? No senso comum, “neurose” virou sinônimo de mania ou frescura. Mas na psicanálise, a palavra designa uma estrutura psíquica . A neurose se caracteriza pelo conflito permanente entre desejo...